20.7.11

O sonho de voar, de pai para filho..


Fonte: http://youtu.be/eVZv7DFcZak

Em janeiro de 2011, eu José Antonio, realizei o sonho de voar que meu pai, Zeméco, quando menino teve. Saltei de 520 metros da Pedra Bonita, aterrisando depois de 15 minutos no ar, na praia do Pepino, no Rio de Janeiro - RJ - Brasil.
Brinquei com meu pai, artista plástico, ao mostrar-lhe esse vídeo, que ano que em 2012 o levaria para voar comigo, mas quis o destino que ele "voasse" em 29/03/2011, antes disso.
Mais que realizar um sonho meu, realizei o sonho do menino que foi meu pai e para entender melhor isso, só assistindo o vídeo depoimento abaixo, em que minha mãe, a professora aposentada, dona Hildette, conta sobre o voo de seu Zeméco.
Neste 20/07, meu pai completaria 77 anos. Feliz aniversário, seu Zeméco.


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=soCrfk3fNgY

O vídeo acima, gravado em 30/04/2011, com a professora Hildette Klaes Roig, esposa do artista plástico José Américo Roig, o Zeméco, trata-se de depoimento, a pedido de seu filho, o educador, escritor e poeta José Antonio Klaes Roig, sobre o voo que pintor nortense fez quando ainda adolescente.
Um relato de quem viveu por 50 anos ao lado de Zeméco, e muito ouviu essa história ser contata inúmeras vezes aos filhos, amigos, conhecidos, bem como a alunos que visitavam a casa do pintor, ou nas paletras que ele se dirigia às escolas.
Alguém que sabe do que essa história representa no imaginário da cidade natal do pintor, a sua musa, como ele mesmo se referia a São José do Norte, no extremo sul do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Todos que conviveram com o artista sabem de sua alegria de viver, de seus sonhos e realizações, mas acima de tudo de sua simplicidade e do bom humor.
Dizia inclusive achar-se, não um grande artista, mas um artista grande, por conta de seus 1 metro e 88 centímetros.
Zeméco, enquanto vivo fez o que sempre quis e foi muito feliz, e essa é a sua maior herança, deixada a todos que o conheceram... Além de sua obra, que pode ser revisitada através do blog Olhar Virtual, criado há cerca de 4 anos atrás.

19.7.11

O homem que pintava nuvens com as pontas dos dedos


O que falar sobre alguém que mais do que dar-me a vida, deu-me sentido a esta? E de alguém que fez sua vida e obra se confundirem com a de sua cidade? Que comentar sobre quem dizia ter como sua musa inspiradora a própria terra natal, retratando-a durante mais de 60 anos, promovendo resgate histórico de casarios que só existiam em sua memória visual, sendo ele cego de um olho? Sua segunda musa foi a esposa e incentivadora, a profª. Hildette, com quem viveu durante 50 anos. Que narrar de quem perdera a contas dos milhares de quadros que pintara, doando quase a terça parte àqueles que não podiam adquirir? Um ser humano com qualidades e defeitos, mas que fez as primeiras suplantarem as demais, diante de sua simplicidade, alegria e emoção de viver cada dia como se fosse o primeiro
Esse cidadão a que me refiro, e que carrego em parte seu nome, além de tudo, de pai, marido, irmão, tio, avô etc, foi, é e sempre será fonte inesgotável de inspiração. José Roig, o Américo - também conhecido como Zeméco, apelido de menino que tornou-se nome artístico -, era para alguns um iletrado, afinal, sequer concluíra a 4ª série do ensino fundamental, mas para muitos foi um professor, por conta das lições de vida que distribuiu, gratuitamente e a distância, de forma simples mas emocionada, em palestras a alunos, em conversas com visitantes, em passeios e exposições.
Alguns de seus relatos lembram cenas de filme (Cinema Paradiso?), quando ainda jovem, ajudava na projeção dos enlatados nos cinemas de sua São José do Norte. Contava as molecagens, invertendo a sequência da película; passava trote nos colegas de trabalho e nos amigos. Já dizia o poeta Manoel de Barros: “Há histórias tão verdadeiras que às vezes parecem que são inventadas”.
A vida passa como um filme. Para alguns, como um curta-metragem, para outros como um longa. Trago comigo cenas inesquecíveis: De meu pai levar os filhos para empinar pipa no campo do Liberal F.C., e ele, como menino, ficar mais tempo empinando do que as crianças. Recordo-me também de quando subi com ele na torre da Igreja Matriz São José, mesmo local em que meu pai aos 14 anos quis voar e acabou realizando seu vôo acidental do alto de um sobrado, levando um tombo e tendo fraturas; por fim, dele com a ponta dos dedos pintando nuvens em seus quadros. Um pequeno pingo de tinta e de suas mãos brotando arte. Quis o destino que eu me dedicasse às letras e ao texto, e ele às tintas e a textura.
Meu pai não deixou bens, mas sua maior herança foi a lição de vida que nos deixou, de aprendermos a voar atrás de nossos sonhos, mesmo que vez em quando tenhamos que nos estatelar no chão, mas continuar sonhando. Nascido em 20/07, no distante 1934, quis o destino que ele se inspirasse em Santos-Dumont, que nasceu no mesmo dia, e na descida do Homem na Lua, ocorrida na mesma data.
Desde que ele partiu num vôo longo e derradeiro, em 29/03/2011, toda vez que olho para o céu e avisto nuvens, sejam brancas ou escuras, minha meteorologia particular prevê chuvas torrenciais em meu interior. Muitas vezes coloco óculos escuros, mesmo que não tenha sol. Nunca, depois daquele dia o “Pai Nosso Que Estais no Céu” teve para mim tamanha duplicidade. Mas, ao mesmo tempo, fico feliz de constatar a herança que ele me legou e saber que está bem, continuando a pintar às nuvens com as pontas dos dedos, agora, diretamente no céu...
Saudades, seu Zeméco. Feliz aniversário. E obrigado por tudo, por ter me dado a vida, um nome e mais que isso, um sentido ao meu viver...

José Antonio Klaes Roig, educador, poeta e escritor.

http://olharvirtual.blogspot.com (acervo digital do pintor Zeméco)

Observação 1: Artigo em homenagem ao meu pai, o artista plástico autodidata José Américo, o Zeméco, falecido em 29/03/2011, que completaria neste 20/07 seus 77 anos.
Observação 2: Imagem acima, fotografia de Zeméco, em palestra a alunos de escola pública estadual, contando sobre seu voo, quando menino.

O menino que queria voar



Esta pequena história acima, foi feita por mim, José Antonio, e ilustrada pelo meu filho Allan, em homenagem ao meu pai e ao seu avô, o artista plástico José Américo Roig, o Zeméco, que quando menino criou um par de asas voadoras e quis voar.
Zeméco, mesmo tendo fraturas, continuou a voar na imaginação e tornou-se pintor autodidata, ajudante de projeção em cinema, desenhista, vitrinista etc.
Em 2006 criei para divulgar sua vida e obra o blog Olhar Virtual, que se tornou um acervo digital de sua produção. Em 29/03/2011, Zeméco realizou seu último "voo", mas deixou para quem o conheceu uma herança, justamente sua vida e obra.

Abaixo, artigo homenagem que fiz a meu pai, meu professor na escola da vida, publicado no blog ControlVerso:

O HOMEM QUE PINTAVA NUVENS COM A PONTA DOS DEDOS

Está postagem é um presente de aniversário antecipado, já que seu Zeméco completaria 77 anos neste dia 20/07, dedicado ao Amigo. Quem o conheceu sabe que ele foi um grande amigo, em todos os sentidos.